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Milei na presidência da Argentina pode dificultar acordos com outros países ou blocos, avalia cientista político

Na avaliação de Leandro Gabiati, Milei pode isolar o país ao priorizar pautas ideológicas em detrimento de acordos econômicos estratégicos

Em entrevista ao Poder Expresso desta 2ª feira (20.nov), o cientista político Leandro Gabiati avalia que o futuro governo de Javier Milei pode isolar a Argentina ao priorizar pautas ideológicas em detrimento de acordos econômicos estratégicos no Mercosul e com outros blocos de países. Os gestos iniciais do presidente eleito da Argentina ao fazer contatos com o ex-presidente Jair Bolsonaro e confirmar as primeiras viagens para os Estados Unidos e Israel são avaliados como indicativos de que as relações com países mais próximos como o Brasil podem ficar em segundo plano. 

"É difícil dizer que Milei fará uma medida tão drástica como tirar a Argentina do Mercosul. Até porque para isso ele precisa de uma autorização do Congresso, de algum tipo de aprovação para romper esse acordo. Não é simples. Tem vários atores na Argentina que são contra isso, especialmente a indústria argentina que se beneficia da tarifa externa do Mercosul e do intercâmbio privilegiado com o Brasil, contextualizou o cientista político Leandro Gabiati. 

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"Não haverá medidas nesse nível de radicalização. Mas o ministério da Fazenda argentino pode tomar medidas unilaterais como foi o caso do ex-ministro Paulo Guedes no Brasil. De tentar diminuir a tarifa externa comum ou tomar medidas unilaterais que acabem enfraquecendo o Mercosul. Apesar da continuidade dos diálogos institucionais entre as instâncias abaixo da presidência de cada país, ele pode priorizar a entrada da Argentina na OCDE como já está em andamento. Haverá mais dificuldade para avançar no acordo União Européia e Mercosul", disse Gabiati.  

"Há reuniões previstas para os próximos dias pois as autoridades do Mercosul e da União Européia já enxergam dificuldades com a posse de Milei. Querem vencer etapas antes da posse. Certamente a gente enxerga, não a saída do Mercosul, mas sim dificuldades para o avanço da integração regional e para a celebração de acordos com outros países ou blocos", explicou Gabiati.  

O cientista político também avalia que as relações com o Brasil devem acabar sendo contaminadas pelas questões ideológicas. "Os gestos iniciais têm muito simbolismo. Nas redes sociais, o Milei uniu o deputado federal Eduardo Bolsonaro e o ex-presidente Bolsonaro. Muito sorriso e muita felicidade. O Milei parece que não pretende se aproximar do Lula. Logicamente ele amenizou um pouco esse discurso de não conversar com a China e com o Brasil. A gente entende que as vias institucionais continuarão a permanecer abertas, mas está claro que o Milei não pretende dialogar diretamente com o Lula. O Milei segue os passos de Bolsonaro. Até a política externa da Argentina deve seguir nesse rumo, assim como foi o caso do Brasil no governo de Bolsonaro. Ao decidir visitar os EUA primeiramente, ele já sinaliza que o Mercosul não será prioridade", afirmou o cientista político. 

Ainda de acordo com o especialista, essa euforia de eleição deve esfriar com o início do governo. "Esse capital político que o Milei traz se evapora rápido. A sociedade está impaciente, quer resultados. Essa expectativa que vem da campanha acaba se frustrando de forma rápida. As medidas que o Milei terá que implementar são amargas. Cortes de subsídios, cortes de gastos e enxugar a máquina pública. Se ele for por esse caminho, as medidas que ele trará são negativas para a população, com impactos no dia a dia", avaliou Gabiati. 

O cientista político afirma ainda que Milei terá que exercer com excelência as suas habilidades políticas para conseguir governar. 
"Ele terá que ser muito hábil politicamente. E isso pode ser um problema no Congresso porque ele tem uma bancada muito minoritária. São 8 senadores de 72 e 37 deputados de 257. E uma eleição legislativa que só acontecerá daqui a 2 anos. Agora veremos o tamanho do Milei. Na campanha, ele foi uma figura de destaque. Soube fazer uma campanha, medir os tempos. Agora veremos se ele, que não tem experiência de gestão no setor público, terá habilidade política para formar uma coalizão política de gestão e no Congresso também", analisou Leandro Gabiati. 

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